Há já algum tempo que nós, na ETCAF, temos evitado tecer comentários públicos ou emitir opiniões de cariz político sobre determinadas situações que acontecem na vida desportiva da Feira. Já poucos se devem lembrar dos 6 meses que foram precisos para derrubar uma árvore enorme, cujos ramos pendiam perigosamente sobre os campos, ou das constantes chamadas de atenção para as descargas que as casas envolventes fazem para a rua, periodicamente. Ao longo destes últimos 4 anos e meio, os obstáculos que se nos depararam foram inúmeros, mas felizmente, com maior ou menor desgaste, temos conseguido superá-los. Para isso, mantivemos a nossa "voz baixa" e optámos por concentrar os nossos esforços em fazer da Escola de Ténis do Clube Académico da Feira um local harmonioso para a prática de desporto, nomeadamente o ténis, tentando crescer de dentro para fora, com a esperança, talvez ingénua, de que um dia, alguém com responsabilidades na autarquia se lembre de olhar para nós e valorizar o pouco que temos feito. De resto, já temos recebido elogios da sociedade civil feirense e também de responsáveis federativos, pelo trabalho de formação que temos desenvolvido com crianças, que se tem traduzido em excelentes prestações competitivas.
No entanto, e na sequência de um pedido de autorização para utilização de água e luz do Pavilhão da Lavandeira para proceder à limpeza dos campos de ténis, voltámos a sentir o desprezo da autarquia, desta feita por parte da Feira Viva, que gostaríamos de partilhar publicamente.
Como decerto já terão reparado, os nossos campos de ténis tornam-se bastante húmidos durante o Inverno, ficando bastante escorregadios e limitando a normal prática do ténis. Nesse sentido, conseguimos arranjar junto dos nossos alunos e familiares (como sempre, 100% disponíveis para ajudar), quem emprestasse a máquina necessária para efectuar a limpeza e enviámos e-mail, no dia 27 de Dezembro à Feira Viva, explicando o carácter urgente da situação, procurando chamar a atenção para o facto de a integridade física dos nossos alunos, crianças e adultos, estar a ser colocada em risco praticamente todos os dias. Solicitámos apenas a autorização para utilizar a luz e água do Pavilhão, por absoluta dependência dessa infra-estrutura para realizar a limpeza, e demonstrámos vontade em pagar um valor justo pela referida utilização de água e luz.
Compreendendo que durante a época natalícia e fim de ano nem sempre as coisas funcionam de forma célere, aguardámos até dia 4 de Janeiro, dia em que voltámos a enviar e-mail, reafirmando a urgência da situação. Perante o contínuo silêncio dos responsáveis pelo Pavilhão, entrámos em contacto telefónico. Foi-nos então dito que a administração do Feira Viva ainda não tinha uma resposta para nos dar, que estavam a decidir qual seria o valor que teríamos de pagar pela utilização da água e luz durante uma ou duas manhãs (será necessária tanta burocracia???)!!! Ao tentar sensibilizar a nossa interlocutora para a urgência da situação, face ao perigo de queda dos nossos alunos, recebemos a resposta, em tom jocoso, que "urgências, só no hospital". Acrescentou ainda que entraria em contacto quando tivesse uma resposta. Note-se que hoje é dia 13 de Janeiro e ainda não recebemos qualquer resposta. E lembre-se também que se trata de um simples pedido de autorização para ligar uma máquina e uma mangueira ao Pavilhão da Lavandeira para efectuar a limpeza de uma infraestrutura que permite a prática desportiva a várias dezenas de pessoas todos os dias. E mais, estamos dispostos a pagar o que for preciso, desde que justo.
Por isso, consideramos que é perante situações tão inexplicáveis (para não dizer rídiculas) como esta, que devemos sair do silêncio a que nos acometemos nos últimos anos, para dar a conhecer esta recambolesca história, com contornos infelizmente semelhantes a outras situações verificadas no passado com esta e outras entidades autárquicas. Perguntamos: será que a empresa municipal Feira Viva, Cultura e Desporto, paga pelos cidadãos feirenses e portugueses em geral, considera que os praticantes de ténis na ETCAF não são cidadãos que mereçam a sua atenção e celeridade na resposta a uma situação tão simples quanto urgente? Será que não ficam preocupados com a eventualidade de uma criança ou adulto partir uma perna, devido a uma omissão da sua parte? Este tipo de indiferença (para não dizer negligência) não merece ser denunciado? Nós achamos que sim, independentemente das consequências que daí possam advir.
Concluindo, lamentamos que o desporto não seja uma prioridade política da nossa Câmara Municipal. Enquanto o país em geral, e Santa Maria da Feira em especial, não perceberem que a evolução de Portugal passa em larga escala, numa aposta sustentada e de longo prazo no desporto, não conseguiremos sair do marasmo em que vivemos. Vários estudos reflectem o impacto gigantesco e transversal que o desporto tem numa sociedade. Deixamos alguns exemplos para reflexão:
- a prática desportiva está associada a estilos de vida saudáveis. A médio-longo prazo isso vai-se reflectir numa diminuição acentuada nos custos com a saúde de um país.
- o desporto promove a integração de crianças e jovens numa sociedade, através da identificação com uma modalidade, com um clube, com uma associação. Ocupa o seu tempo e ajuda a transmitir valores essenciais na formação do carácter de qualquer pessoa: disciplina, respeito, fair play, etc...
- o desporto promove o emprego de forma directa e indirecta.
- o desporto é um factor de afirmação internacional de um país.
Voltando à Feira, lançamos outra questão para o ar: será que o jovem Gonçalo Andrade, habitante feirense e número 1 nacional no escalão de SUB14 em 2012, teria começado a jogar ténis se a ETCAF não existisse? Foi aqui na ETCAF que ele deu os seus primeiros passos como jogador de ténis, ao mesmo tempo que praticava futebol no Feirense. Mas a sua paixão era o ténis e a ETCAF permitiu-lhe explorar esse desejo. Dessa forma, talvez tenhamos contribuído para a perda de um mediano jogador de futebol, mas contribuimos indiscutivelmente para o aparecimento de um talentoso e promissor jogador de ténis. E contribuimos igualmente para que fosse feliz. O mesmo podemos dizer de várias dezenas de crianças que jogam ou jogaram ténis na nossa Escola.
Por tudo isto, não valerá a pena apoiar e incentivar a ETCAF, o Clube Académico da Feira e todos os outros clubes ou colectividades que fazem tanto pelo desporto neste país, por vezes em condições terceiro mundistas?
ACTUALIZAÇÃO: Finalmente obtivemos a simples autorização, no dia 15 de Janeiro!
ACTUALIZAÇÃO: Finalmente obtivemos a simples autorização, no dia 15 de Janeiro!
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