sexta-feira, 8 de maio de 2009

Política Local: 100 milhões de ilusões

Em ano de eleições, e a poucos meses do início da campanha eleitoral, começamos a ver na nossa cidade monumentais cartazes colocados pela Câmara Municipal a anunciar a “obra feita” nestes últimos anos.

Este aqui exposto, situado junto à Biblioteca Municipal, mereceu da minha parte, uma especial atenção, atendendo a factos recentemente divulgados sobre o saneamento (ou a inexistência do mesmo) no Pavilhão da Lavandeira. Há poucas semanas, o Bloco de Esquerda denunciou (e bem) uma situação no mínimo embaraçosa para a autarquia (leia-se Feira Viva): o Pavilhão da Lavandeira estava a fazer as suas descargas de esgotos no Rio Cáster, mesmo ali ao lado.
Instalada a celeuma, foi curioso ver a reacção da entidade pública responsável pela gestão do Pavilhão, a Feira Viva E.M., que assumiu não estar ao corrente desta situação, desculpando-se com o facto de ter assumido o controlo do Pavilhão há “apenas” seis (!!!) anos. Ou seja, em seis anos, em 2192 dias, não houve um único dia em que a pessoa responsável tenha feito um levantamento das condições do Pavilhão, no sentido de tomar as medidas necessárias à sua conservação e melhoria? Em 6 anos de gestão, ninguém se interessou em resolver uma questão tão básica e indispensável nos dias de hoje? Enfim… é este o tipo de competência que esperamos das entidades autárquicas? Não, obrigado!
É por isto e outras coisas mais que este cartaz assume contornos de mera propaganda política, sem conteúdo nem mensagem. Um cartaz que exibe um número redondo e em letras gigantes, como 100 milhões, ludibria os menos atentos. Mas o cidadão mais interessado poderá reflectir um pouco sobre o verdadeiro significado deste cartaz em especial. Este cartaz representa precisamente o oposto da mensagem que pretende transmitir. Passo a explicar: se houvesse muita obra feita em termos de saneamento no concelho, os cartazes exibiriam essas mesmas obras, essas melhorias. Qualquer Câmara tem orgulho e necessidade em publicitar as suas “benfeitorias” em ano de eleições. Mas se elas não existem, atira-se “areia para os olhos” dos cidadãos com números astronómicos em grandes parangonas.
Pergunto: o que é mais premente numa cidade? Possuir as condições mínimas (saneamentos, estradas pavimentadas, transportes públicos, estações de tratamento de resíduos, etc…) ou ter infindáveis eventos culturais ao longo do ano, muitos com avultados prejuízos económicos, que em pouco alteram a vida do cidadão comum? A resposta parece-me óbvia.

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